11.8.11

Amor pode ser crime

A fêmea do crocodilo atinge a maturidade sexual por volta dos dez anos. O pintassilgo e a marreca, entre dez e doze meses. A leoa aos quatro anos, a jumenta aos dois, e assim por diante. Tudo devidamente catalogado e aceito. Mas, no caso dos humanos, a ciência ainda não conseguiu estipular uma idade correta, e os legisladores não chegam a um consenso. Na França diz-se que a mulher atinge sua maturidade sexual aos quatorze anos. No Japão, treze, na Espanha doze, na Argentina dezessete, no Brasil dezoito. Nos Estados Unidos, vinte e quatro. Na Arábia Saudita... oitenta. Portanto, cuidado: em certos países, fazer amor pode ser crime.

10.8.11

A vida é um jogo


A Vida é um jogo, belíssimo, onde só se pode ganhar aquilo que se arrisca.
Mas você parece que não anda perdendo muito, nem ganhando muito.
Nenhuma derrota acachapante, nenhuma vitória inesquecivel.
Nenhum ato grandioso, nenhum espetáculo.
Nenhuma desgraça, nenhuma paixão.
Nenhuma queda profunda, nenhum salto mortal.
Nem pra cima, nem pra baixo.
Nada!
Nem escuridão, nem brilho, nem glória, nem tragédia.
Assim — a tua vida.
Segura, pacata, certinha, e normal.
Tudo em ordem, tudo estável e bem comportado.
Tudo em brancas nuvens.
Tudo meio morno, meio tépido, meio frouxo, meio mole.
Meio apagado.
Meio cinzento e meio sem graça.
Assim — a tua morte.
.

9.8.11

Eu te amo

Eu te amo quando não preciso mais dizer te amo.
Eu te amo quando reconheço teu Direito de Fazer Escolhas.
Eu te amo quando respeito tua própria liberdade tanto quanto a minha.
Eu te amo quando compreendo tua vontade de às vezes ficar só.
Eu te amo quando não te sufoco com chiliques ou pressões.
Eu te amo quando ponho afeto entre as nossas distâncias.
Eu te amo quando aplaudo os teus desejos de voar.
Eu te amo quando me convenço de que o ciúme é o câncer do amor.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que eras quando eu te conheci.
Eu te amo quando a recíproca a tudo isso também é verdadeira.

8.8.11

Eu amo a perda

Estou perdendo hoje um grande amor... que eu supunha estar no pico e na hora certa de perdê-lo de vez. Mas pode ser que não. Pois a cada minuto que agoniza agora em minhas mãos, inocente e delicado, sinto que ele cresce ainda mais — e de uma forma impressionante — no meu próprio coração.

Eu amo a perda, repito, e acho-a necessária e fascinante nas relações de amor. Mas tem horas que suponho ser preciso suspendê-la por uns tempos. Tem horas que eu sofro uma recaída inexplicável — e amo como se fosse um simples imortal...

7.8.11

Quero tua luz de amante

Nunca escondo meus leitores de si mesmos: mostro-lhes a parte escura que se perde dentro deles. Só gosta de me ler quem já tem brilho e não se assusta com palavras encantantes. Mas se eu não transformar as emoções em arte, não terei coragem de abrir meu peito e ser lido por você. Por isso, só me mostro inteiro após o meu espanto, e só te dou estas palavras depois que as refino. Se eu primeiro não polir as minhas pedras preciosas com amor e liberdade, como poderia eu querer trocá-las por tua luz diamante?

livre ou normal

João é um sujeito que anda na linha do trem. Adora ser normal. Guardou suas asas no armário do Medo. Mas, como chefe de família, é competente. E foi esse papel secundário que escolheu para mostrar que é um grande homem... Como aventureiro, ele teria de ser fantástico para merecer elogios, posto que sobre ele cairiam certamente a ira divina e a reprovação social por deixar o caminho dos trilhos. Como chefe de família, entretanto, não lhe serão cobrados comportamentos extraordinários: basta que seja um bom marido e um bom pai. Basta que tenha um emprego fixo e um plano de saúde. Que use coleiras e não faça loucuras. E que não se extravie de forma alguma, nem chegue tarde em casa sem dar boas explicações...

Como se vê, muito mais fácil do que ser livre.

6.8.11

desapego e coragem

São duas as moedas que compram a Liberdade: chamam-se Desapego e Coragem. Quantas delas você tem no teu baú?

5.8.11

Caminhos novos aprimoram nosso amor

Nessa minha busca, nessa minha incansável e eterna busca de caminhos, eu acabo às vezes me afastando de você. E esse espaço, essa distância — esse vazio — é como uma navalha cortando a emoção... A emoção não deve ser cortada, eu sei. Mas, que se há de fazer? Eu quero apenas abraçar a metade do infinito.

Mas essa busca incansável de caminhos é uma das mais nobres e louváveis tentativas de aprimoramento. Signfica refinar, cada vez mais, o sentimento de amor-próprio. O contrário disso chama-se acomodação. Ou, até mesmo, desleixo. Talvez covardia.

3.8.11

Alguns dos Meus Amores

Isabelle adora fazer amor à tarde, no crepúsculo cor de abóbora da praia da Enseada. Rose prefere elevadores vazios em madrugadas silenciosas. Janaína, lençóis negros de cetim enquanto ouvimos Jon Bon Jovi. Fabiane sempre fica nua quando descemos a Serra em noites de lua cheia. Daniela dança como ninguém. Luísa sempre chega de surpresa, com saias floridas e uma garrafa de vinho. Fátima tem o corpo mais perfeito que já vi na minha vida. Adriana conhece Paganini na ponta da língua, e me conta histórias de amor. Suzana sabe fazer pudim gelado — e adora o risco de saltar profundo. Joyce Ann tem a delicadeza de Vênus — e incentiva todas as minhas loucuras.

Elaine é aquela cujo nome é outro e mora aqui mesmo no meu prédio. R tem o erotismo inocente dos quinze anos; Sílvia, a madura experiência deliciosa. Alessandra parece ter nascido na ilha de Lesbos: adora fazer amor a três. Ana é sensual até debaixo dágua, e vive me lendo Henry Miller. Andressa é a maior expressão de que a natureza pode ser perfeita, em todos os sentidos. Beatriz é a nova doce musa que agora já desponta, exuberante. Todas são bonitas e amáveis — e nenhuma delas me suprime a liberdade. Tem ainda Juliana, a filha belíssima da costureira que me tira medidas demoradas... E tem você, por todas as razões que nem preciso dizer. Ah, tem também Carol, aquela menina das meias brancas que a mamãe lava com sabonete Dove, e que estuda no colégio ali da esquina.

Continuando: tem Vera Lux, artista que me inspira com seus quadros e nudezes. Tem Ângela com seus ursinhos e óleos de amêndoas; tem Silvana e nossos papos demorados à beira da paixão; tem Michelle com surpresas infindáveis; tem Denise e nossas tardes de domingo com torta holandesa; Fernanda e as conversas sobre Nietzsche e religião; tem Marina e suas mãos inesquecíveis. Etc.

É por isso que não posso escolher uma só.

Escolher uma delas — e desprezar todas as outras — seria uma ofensa às demais. Sufocar vários corações em nome apenas da moral tradicional é lamentável. Seria um absurdo. Um pecado. Uma traição à própria Vida. Uma ofensa desnecessária ao Amor e à Liberdade.

Como se vê, seria um mútuo desperdício imperdoável..

2.8.11

trem da vida

Há uma Isadora Duncan no meio da tua alma, dançando, absoluta. José Limón e Martha Graham de mãos dadas, aguardando no teu peito a sua hora — mais de mil coreografias na cabeça. E o trem da vida não chega. Você pensa que ele não chega... Você erra em mais uma avaliação acerca do teu próprio coração. E fica aí, parado na estação, dormindo, embolorando.

O trem da vida passa em silêncio — mas você não o ouve.

Você gasta a existência toda preparando malas. Você gasta a existência toda arrumando a bagagem, gritando com filhos e carregadores. Gritando com fantasmas e amores, pequeninos, cerceadores. E eu agora pergunto: Quando é que você vai criar coragem — e subir de vez no trem da vida? Quando vai começar tua verdadeira viagem? Quando é que você vai abraçar a Glória e saltar profundo? Quando?

dois caminhos

A vida tem dois caminhos:

Ou você segue o caminho da Tristeza,
arma-se de medo, de ciúmes e de falsas alegrias,
arma-se de angústia, fecha os olhos, se acomoda,
e segue o rebanho dos que não sabem;
obedece regras injustas, não reage, não questiona,
não se aprimora, não lê, não significa,
nem percebe o absurdo em que se mete:
vende a própria natureza
por duas ou três moedas de aço,
troca a inocência pura pela responsabilidade apressada,
torna-se respeitável aos olhos da sociedade,
cumpre horários, nunca tem tempo,
preocupa-se com coisas banais;
comerciante das próprias emoções, já não brinca,
vive correndo, ama com pressa,
esquece-se da lua,
e se torna uma pessoa média, mediana, medíocre,
pequena, cansada e normal...

Ou você escolhe o caminho da Ousadia,
compreende, se aprofunda, vai mais longe, realiza,
respeita o ser humano que existe em você mesmo,
resgata a própria vida e o sorriso,
rompe de vez com o passado agonizante,
procura defender a verdade, a justiça e a poesia,
acorda e assopra o fogo da alma que dormia,
ultrapassa os limites que sufocam,
cavalga o cavalo negro, cego e alado
das paixões gostosas e sublimes,
enche o peito de coragem, corações e relâmpagos,
acende de novo esse vulcão que é o teu corpo,
deixa a própria cabeça plena de agora,
de ternura e de vertigem,
e parte em busca de Aventura, de Amor e Liberdade.


É uma simples questão de escolha.


Qual é o teu caminho?

15.12.10

amizade versus amor

A amizade nunca impõe restrições aos atos do outro, nem constrói barreiras para impedir o crescimento do ser amado. A amizade pressupõe compreensão absoluta. Confiança irrestrita. E assim também deveria ser o amor. O verdadeiro Amor. Sabe, depois de ter amado tanto e estar amando ainda mais; depois de conhecer — inclusive no sentido bíblico — milhares de pessoas, eu acabo concluindo que o Amor só acontece em sua plenitude numa deliciosa relação de amizade.

Mas uma amizade coloridíssima, daliniana, picassante!

Tentarei me explicar.

Já imaginou passar a vida toda com um amigo só?! Já imaginou assinar um documento se comprometendo que só vai ter esse amigo pelo resto da vida? Almoçar só com ele, jantar só com ele, ir ao teatro, ao cinema, à praia — só com ele! Viajar só com ele — e só se ele permitir! Dormir ao lado dele todo dia, na mesma cama! Conversar sobre os mesmos assuntos, ver os mesmos programas de tv, entediar-se mutuamente — todo dia!

Ah... a amizade com certeza não resistiria...

Então, por que você acha que o amor é capaz de resistir?

Alegria dos Navegantes

Só a alegria dos navegantes errantes é que descobre mundos novos. E os encanta. Quem navega com mapas e bússolas não descobre mais nada. Só quem salta inteiro no belo azul profundo da Vida é que pode viver e brilhar de verdade.


É disso, é só disso que trato no meu blog e nos meus livros:
Da Gramática do Amor.
Se você não gosta dessas coisas, nunca será meu leitor.
Minha literatura propõe uma prática de Liberdade.
Le livre de la Liberté!
Eu só falo de amor.
— De amor livre.


Acabou o churrasco, todos já se foram. Jesus foi o último a sair, abraçado a Henry Miller, os dois de fogo. E já lhes avisei que hoje teremos um jantar à luz de velas, só para nós três.
Disseram que virão.

Agora já é madrugada, e eu fico pensando.

Será que você — que não entende como posso ter feito ontem um churrasco só pra mim — será que você nunca passou uma noite inteira lendo um livro, sublinhando palavras ao acaso, cotovelos apoiados na mesa, as mãos e um belo copo de vinho suportando a cabeça dançante? Será que você nunca passou uma noite inteira sozinho, deliciando-se com você mesmo, solto e alegre — sem saber nem como amanhecer?

Pois então é preciso que te pergunte:

Você é livre para viver gostosamente a própria Solidão — se quiser — ou tem sempre que reparti-la com alguém?

12.12.10

As maiores emoções

As maiores e melhores emoções da minha vida, eu as vivi em situações contrárias aos padrões morais ou legais vigentes. As grandes emoções estão sempre ligadas à superação das regras e dos limites. Quem faz as regras é geralmente um velho tolo e decrépito, que não entende de emoção nem de prazer. Quem faz as regras morais — ou quem cuida para que elas sejam obedecidas com rigor — é geralmente uma pessoa insensível às coisas do coração maravilhado.

Não pode ser um poeta; geralmente é um ditador.

17.11.10

Paritosh Keval

Hoje vou escrever sobre um fato bastante significativo da minha vida: meu sannyas. Pode parecer incrível a vocês, mas sou realmente sannyasin. Certo dia, Osho olhou-me nos olhos fundos, colocou seu polegar em minha testa e disse-me: "You are contentment in aloneness... your name is Paritosh Keval." Significa Alegria em Solitude. Osho também me disse que esse nome nunca seria dado a mais ninguém. Estávamos em Poona. Mas agora estou aqui, ao lado do Oceano Atlântico, sem mapas e sem bússolas, sem pressa e sem medo, tomando vinho branco à luz da lua — e sendo apenas Paritosh Keval — nem mais, nem menos.

O que é um sannyasin?

Basicamente, o sannyasin é uma pessoa que vive em estado de alerta. Assim, a primeira qualidade de um sannyasin é uma completa abertura à experiência. Viver existencialmente é o seu fim. Com espontaneidade, simplicidade, naturalidade — e gostosura.

Ele vive criando alguma coisa. Uma poesia, um desenho, uma relação de amor, um sanduíche diferente, um blog, uma dança, uma canção. Tem um profundo senso de humor, e ri, entusiasmadamente. Não tem maldade no coração. Ele brinca e transa com a Vida. O sannyasin não é apenas livre: ele é a própria Liberdade.

Pode até viver só, mas nunca é solitário. Ama a Solitude — jamais a solidão. E o que o torna ainda mais feliz é a posibilidade aberta de relacionar-se livremente, em todos os sentidos, com qualquer pessoa — em qualquer lugar. Não há restrições à sua inocência e à sua pureza.

Ele vive saltando profundo...



Ficar louco é muito fácil; difícil é permanecer.